sábado, 10 de março de 2012

Quem quer a Educação Moral e Cívica

Muito me tem preocupado essa onda de pessoas que propugnam pelo retorno da Educação Moral e Cívica como matéria obrigatória da grade curricular.
Será que essas pessoas tem entendimento do que estão querendo?
A EMC foi criada pela ditadura militar, juntamente com a OSPB (Organização Social e Política Brasileira), visando substituir o ensino de filosofia.
A ditadura militar, que vigorou no Brasil de 1964 a 1984, foi um período marcado por momentos de extremo autoritarismo, violência, repressão e por diversos outros meios que pudessem manter o regime.
Compreender o conjunto de interesses e valores dos segmentos sociais que faziam parte do poder, naquele momento, é fundamental para entender como vários mecanismos autoritários, que buscavam o controle e o consenso da população, tentavam atuar nas diversas esferas da sociedade.

Qual a proposta da Educação Moral e Cívica?
A proposta oficial era que essa matéria, EMC, tinha o "objetivo de aprimorar o caráter do estudante, com base na disciplina, na moral, no civismo, orientando-o para a vida familiar e social e preparando-o para o exercício da cidadania e patriotismo, através da construção positiva, visando o bem comum".Porém, o que ocorria na realidade, o que se escondia por traz desse "nobre" pretexto, a mensagem subliminar transmitida, era a catequeze e o adestramento das mentes em formação dos estudantes, transformando-os em pessoas que se adequassem à nova ordem social.Os conteúdos transmitidos aos alunos pelos livros didáticos, são sempre de acordo com o contexto político, econômico e social de uma determinada época, exatamente como ocorreu durante a ditadura militar.
A EMC atuava na mente das crianças, inculcando valores tais como: obediência; passividade; ordem; fé; “liberdade com responsabilidade” e patriotismo.
Estes valores estavam presentes nos conteúdos dos livros didáticos de EMC como parte da estratégia pscicossocial elaborada pelo governo militar, atuando nas formas de pensamentos e nas subjetividades individuais com o objetivo de interferir na dinâmica social.
Desejava-se moldar comportamentos e convencer os alunos e a população acerca das benesses do regime para que estes contribuíssem com a manutenção do regime militar.
A EMC era usada para que o regime militar pudesse atingir os seus objetivos, ou seja, incutindo nas crianças e jovens uma idéia deturpada do que é a democracia, fazendo com que o estudante acreditasse que o povo tinha liberdade de escolha de seus representantes e que os seus direitos e interesses seriam defendidos por eles e que a ditadura era um regime político democrático e que mesmo as atitudes autoritárias eram a "favor do bem comum".
Esse é o motivo das gerações alienadas que vieram após o regime militar. E não é à toa que, ainda hoje, vemos tantas pessoas com saudades da ditadura militar.
A Educação Moral e Cívica cumpriu muito bem o seu papel de alienadora, fazendo com que a ilusão tão bem plantada na cabeça das crianças de ontem e que faz com que alguns adultos de hoje sintam "saudades" da ditadura...
Ou você nunca se perguntou como um regime autoritário, violento, repressivo e sem nenhuma liberdade sobreviveu por mais de 20 anos?

Qualquer semelhança com o facismo não é mera coincidência
 
Uma das principais fontes utilizadas para criar essa "disciplina", foram as obras de Plinio Salgado, o fundador da AIB - Ação Integralista Brasileira (partido político ultra-coservador e de extrema-direita, inspirado nos princípios do movimento fascista italiano).
O símbolo dos integralistas lembra a suástica nazista e os fundamentos doutrinais do integralismo encontravam-se no Manifesto à Nação Brasileira (1932), de autoria de Plínio Salgado. Nele, o autor fazia a defesa da "Pátria, Deus, Família", isto é, do "chauvinismo", da "civilização cristã" e do "patriarcalismo". A AIB encontrava apoio na oligarquia tradicional, na alta hierarquia militar, no alto clero, em suma, nos setores mais conservadores da sociedade.
Tal como o seu modelo europeu, a AIB utilizava-se do ódio aos comunistas para elevar a tensão emocional de seus partidários. O "perigo vermelho" era visto por toda a parte, o que mantinha a permanente vigilância e o fervor partidário.
Entre 1932 e 1935, quando os efeitos da crise de 1929 se faziam sentir com intensidade e as agitações esquerdistas começavam a tomar corpo, os integralistas formaram, como na Itália, grupos paramilitares que agiam com violência para dissolver as manifestações esquerdistas.
Até hoje, os integralistas defendem suas idéias de intolerância, retrógradas, conservadoras e reacionárias, e não me surpreenderia se assumissem que bandeira do retorno da EMC é idéia deles.

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