sexta-feira, 23 de março de 2012

As 10 Estratégias da Manipulação

Hoje, uma amiga (Sonia Mariza Martuscelli) postou no facebook, um artigo de Avran Noan Chomsky* que revela, resumidamente, as estratégias que o sistema utiliza para manipular a nossa consciência.
A postagem estava em castelhano e eu verti para o português. Mas, como achei muito interessante, estou postando aqui...
Espero que muitas pessoas acessem e leiam.
Essa informação é de vital importância para que, conhecendo a forma utilizada para que a classe dominante manipule as nossas mentes, tenhamos bagagem suficiente para evitar, ou, ao menos, diminuir os efeitos, dessa manipulação.


10 Estratégias para entendermos como somos manipulados

Noam Chomsky*

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração, que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e economicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundação de distrações continuadas e informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia, e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, presas a temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar, de volta à granja como os outros animais (citação do texto “Armas silenciosas para guerras tranquilas”).”
2- CRIAR PROBLEMAS E DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES

Esse método também é chamado de “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceita. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique uma violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que seja o público que exija leis de segurança e políticas em prejuízo de sua liberdade. Ou também criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.


3- A ESTRATÉGIA DA GRADUALIDADE
Para fazer que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa forma que condições socioeconomicas radiclamente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980/1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram uma renda decente, tantas mudanças que haveriam de provocar uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma única vez.



4- A ESTRATÉGIA DE ADIAR
Outra forma de fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é usado de imediato. Depois, porque o público, a massa, tem sempre a tendência de esperar ingenuamente que “amanhã tudo vai melhorar” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acosumar-se à idéia da mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIATURAS DE POUCA IDADE
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximas à debilidade, como se o expectador fosse uma criatura de pouca idade ou deficiente mental. Quanto maior a tentativa de enganar o expectador, maior a tendência de se adotar um tom infantilizado. Por que? “Se alguém se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabiliidade, essa pessoa tenderá, com grande probabilidade, a uma resposta ou reação, também desprovida de um sentido crítico, como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranquilas”)”.


6- UTILIZAR MUITO MAIS O ASPECTO EMOCIONAL DO QUE A REFLEXÃO
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e finalmente no sentido crítico dos indivíduos. Por outro lado, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou injetar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos...


7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE
Fazer com que público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores e as classes sociais superiores seja e permaneça impossível de ser alcançada pelas classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranquilas)”.





8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE COMA A MEDIOCRIDADE

Levar o público a crer que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto...






9- REFORÇAR A AUTO-CULPABILIDADE
Fazer o indivíduo crer que somente ele é o culpado por sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, em vez de se revelar contra o sistema, o indivíduo se infravaloriza e se culpa, o que gera um estado depressivo, sendo que um dos efeitos é inibir a sua ação. E, sem ação, não há revolução!


10- CONHECER OS INDIVÍDUOS MELHOR QUE ELES PRÓPRIOS SE CONHECEM
Nos últimos 50 anos, rápidos avanços na ciência têm gerado uma crescente lacuna entre o conhecimento público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" desfruta de um conhecimento avançado do ser humano, tanto física como psicologicamente. O sistema consegue conhecer melhor o indivíduo comum do que ele conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um maior controlo e um grande poder sobre os indivíduos, maior do que o dos indivíduos sobre  si mesmos.



*Noam Chomsky é Filósofo, ativista, autor e analista político, Professor emérito de Liguística no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e uma das mais destacadas figuras da linguística do século XX, reconecido na comunidade científica e acadêmica por seus importantes trabalhos na teoria linguística e ciência cognitiva.

Um comentário:

  1. Gostei muito das ilustrações, que enriqueceram o texto imprescindível de Chomsky. Parabéns pelo post.

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