segunda-feira, 9 de abril de 2012

Desabafo de um Trabalhador

Desabafo de alguém que é punido por ter denunciado a causa de um acidente do trabalho que tirou a vida de um jovem de 25 anos



 Camaradas estou a poucas horas de uma grande frustração em minha vida como militante sindical que sou há mais de 30 anos.
Digo isso porque hoje de manhã devo fechar um acordo com a multinacional AmBev/INBEV, a maior cervejaria do mundo pelo qual abro mão de um direito garantido a mim por 230 trabalhadores que me elegeram em 2011 para cipeiro na AmBev, tendo sido a maior votação que um cipeiro já recebeu na AmBev em todos os tempos, 33% do total de votantes em uma eleição com mais de 20 candidatos.
Nos anos anteriores eu já havia recebido votações que me fizeram o mais votado e vice presidente da CIPA pela terceira vez consecutiva.
Este respeito perante aos trabalhadores conquistei nos quase 24 anos que dediquei boa parte de minha vida em defesa dos trabalhadores da AmBev e mais de 30 anos de luta em defesa dos trabalhadores de maneira geral.
Devo abrir mão do meu direito de brigar na justiça pela minha reintegração para dentro da fábrica.
Faço isso porque tenho que manter a obrevivência da minha família, e esperar por uma decisão judicial, que diga se de passagem, até agora não foi dado entrada no processo pelo jurídico do nosso sindicato, deve ser bastante demorado, e não ter tido a compreensão das entidades do movimento em me bancar financeiramente, os sindicatos, em especial o sindicato da alimentação de São José dos Campos do qual fui dirigente por quase 18 anos e a CSP-Conlutas central a qual sou da direção executiva da estadual SP. Isso para mim é muito frustrante.
Ter dedicado todos estes anos na luta em defesa dos trabalhadores e agora ser aposentado na luta no local de trabalho por ter denunciado as verdadeiras causas de um acidente que matou um jovem de 25 anos, que iria ser pai do primeiro filho dali a 3 meses e não ter a compreensão do movimento sindical classista da importância de bancar a minha reintegração para esta multinacional para mim é uma grande derrota daqueles que pregam um sindicalismo classista e de chão de fábrica.



Vou para este acordo com a AmBev triste por ter procurado apoio nos sindicato e em especial na csp conlutas e no sindicato da alimentação, soliciatando que bancassem parte do meu salário para minha sobrevivência e de minha família com compromisso de devolver tudo quando ganhasse o processo. Não tendo sido atendido, exceto a CSP-Conlutas, que se propôs a fazer uma pequena contribuição por apenas alguns meses, o que não contemplaria, haja visto a demora que pode ocorrer uma ação na justiça.
Porém, independente desta situação, recebemos muitas moções e solidariedade por parte de muitas entidades e dezenas de camaradas individuais, foram milhares de postagens de apoio nas redes sociais, o que forçou a AmBev a negociar o pagamento dos nossos direitos e propor a antecipação da nossa aposentadoria e manutenção do convenio médico.
Estas propostas, mesmo limitadas, sem a mais importante de todas que seria a nossa reintegração para dentro da fabrica, deve ser aceita por nós, e agradecemos a todas e a todos que de alguma forma colaboraram com a nossa luta.



 Joaquim Aristeu Benedito da Silva (BOCA)

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